“A consciência moral, que tantos insensatos têm ofendido e muitos mais renegado, é coisa que existe e existiu sempre, não foi uma invenção dos filósofos do Quartenário, quando a alma mal passava ainda de um projecto confuso. Com o andar dos tempos, mais as atividades da convivência e as trocas genética, acabámos por meter a consciência na cor do sangue e no sal das lágrimas, e, como se tanto fosse pouco, fizemos dos olhos uma espécie de espelhos virados para dentro, como o resultado, muitas vezes de mostrarem a eles sem reserva o que estávamos tratando de negar com a boca.”


José Saramago Ensaio sobre a cegueira pg 26

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Los Hermanos

18 de maio de 2015

Ontem vi o documentário da turnê do Los Hermanos.

Sobre o filme é só um registro, bem comum, sem nada demais. Inclusive o ‘Além do que se vê’ que tem no DVD Cine Íris é bem melhor.

Mas o bom de ter visto foi lembrar da minha ida ao Recife para ver esse show. Na verdade durante o documentário tentei lembrar daquele final de semana e minha memória é puramente visual. Não recordo o nome de ruas, o nome do hotel que fiquei nem a companhia que voei pra lá.

Lembro demais do cenário quando Los Hermanos entrou no Chevrolet Hall. Não lembro se a van – que o Danilo e seus amigos me ofereceram – me pegou no hotel ou na praia;

Lembro do bar que a Tatiane me levou eu, entre o show do Los Hermanos na noite anterior e do Paul McCartney na noite seguinte ainda meio aéreo diante do espanto de alguns ao saberem que fui sozinho viver isso tudo.

De ontem pra hoje eu fiquei pensando no que rolou naquele final de semana e me dei conta de que foi um dos mais bacanas que já tive.

Resolvi ver Los Hermanos lá porque no dia da venda para BH eu estava no hospital com minha mãe. Acabou que rolou uma sessão extra em BH e vi aqui tb.

Como foi bom e marcante aquele final de semana. Valeu Danilo e Tatiane.

Por essas e outras que eu adoro o Recife.

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O quero-quero (*teste)

No Jardim Botânico de Curitiba dezenas de pessoas circulavam munidas de suas câmeras ‘atirando’ para todos os lados e  apontadas para si numa linha de produção de selfies de dar inveja a Chaplin em Tempos Modernos.

Andando em passos lentos observo o quero-quero que parecia não se incomodar com o movimento de pessoas.  Após as flores de cerejeiras – que me fizeram tirar a câmera da mochila  – o quero-quero desfilando no meio das flores pedia um registro.

As primeiras tentativas foram apenas apontando para baixo, depois ligeiramente abaixado; continuou  não funcionando. Por fim agachado também não teve o resultado que queria.

Às 11h36 daquele domingo frio de Curitiba lá estava eu deitado no chão para espanto dos turistas de óculos escuros, sobretudo e botas brilhantes parecendo figurantes de novela em cenário de inverno europeu. Um dos disparos da câmera foi o certeiro para o que eu pretendia. O instante estava capturado: mais especificamente um segundo dividido por oitocentos e o quero-quero

Há uma discussão chata entre foto “certa” ou “errada”. Nunca penso nisso quando vou fotografar. Saber a técnica é importante para que se consiga chegar ao resultado pretendido, mas daí a dizer que uma foto está certa ou errada? Qual era a intenção de quem fez essa foto? O que o fotógrafo quis dizer ali?

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*este é um post de teste: estou pensando em contar o contexto no qual algumas fotos minhas foram feitas. Vamos ver no que dá isso aqui.