Rodrigo Otávio
Não é de hoje que a imprensa em todo o Brasil noticia, algumas vezes por ano, polêmicas sobre o uso da verba indenizatória por parlamentares de todo o país. Cada vereador, deputado ou senador possui, mensalmente, um valor disponível para gastar “em prol” do mandato. Como explica o site da Assembleia do Estado de Minas Gerais, por exemplo, os deputados estaduais mineiros podem ser indenizados pelos gastos com locação de imóvel, combustível, manutenção de veículos, serviços de consultoria, divulgação da atividade parlamentar, material de expediente, passagens, hospedagem, alimentação e promoção e participação em eventos, entre outros. Basicamente, após alguma compra ou contratação de serviço, o valor é reembolsado ao parlamentar após a apresentação da nota fiscal. Usando como exemplo o parlamentarismo mineiro, cada deputado pode usar R$20.000,00 por mês e ser reembolsado.
Em uma análise sobre os gastos indenizados em combustível, alguns valores assustam. Mensalmente, o parlamentar pode utilizar até 25% do valor total da verba (R$5000,00) para custos com combustíveis e lubrificantes (NORMA: DELIBERAÇÃO 2446 2009 – Artigo 3°).
A planilha abaixo mostra alguns números, todos retirados do site da ALMG, disponíveis para a consulta de qualquer cidadão. Não considerei necessário citar o nome dos deputados ou partidos. Mas posso assegurar que os 77 deputados que hoje estão na ALMG tem dados “curiosos” em relação à verba indenizatória.
Verbas Indenizatórias declaradas no mês de outubro 2011 para gastos com combustíveis e lubrificantes (as notas podem ter sido utilizadas até noventa dias antes):

Alguns exemplos de cálculos rápidos:
Exemplo 1: O percurso de carro entre o bairro Mangabeiras, região sul de Belo Horizonte, até a Cidade Administrativa, no extremo norte da capital, possui a distância média de 25 km. Considerando o parlamentar número 3: Com a quilometragem percorrida durante 76 dias, pode-se atravessar Belo Horizonte 408 vezes.
Exemplo 2: A distância entre Pouso Alegre, cidade localizada no Sul de Minas Gerais, e Montalvânia, município do extremo norte mineiro, é de 1.135 Km. Considerando o parlamentar número 1: Com a quilometragem percorrida durante 82 dias, pode-se atravessar Minas Gerais 12 vezes.
Exemplo 3: A distância para uma viagem de carro entre Porto Alegre (Rio Grande do Sul) a Boa Vista (Roraima, região norte do país) é de 5.227 km. Considerando o parlamentar número 5: Com a quantidade de combustível gasta, é possível atravessar o Brasil quase 3,5 vezes.
Lembrando que a ALMG paga o aluguel de até dois carros, o combustível deles e o lubrificante (uma troca de óleo, por exemplo, que pouco altera os valores totais), além de permitir a contratação de motorista, através da verba destinada ao pagamento de funcionários do gabinete.
Se valores da verba indenizatória foram devidamente declarados com notas fiscais, não há nada fora da lei. Teoricamente.
Tire suas conclusões.
*Distâncias calculadas através do maps.google.com
